O que é a Armadilha de Escalada, que explica por que guerra no Irã pode sair de controle
Uma potência decide atacar outra com força limitada para atingir um objetivo determinado. A agredida reage por meio da expansão do campo de batalha. A agressora escala o conflito a fim de recuperar a iniciativa.
Uma potência decide atacar outra com força limitada para atingir um objetivo determinado. A agredida reage por meio da expansão do campo de batalha. A agressora escala o conflito a fim de recuperar a iniciativa.
Essa sequência, descrita em um modelo chamado Armadilha de Escalada, do norte-americano Robert Pape, tem sido invocada para explicar o que ocorre na Guerra do Irã.
Depois de realizar cerca de oito mil voos sobre o território iraniano e atingir cerca de 7 mil a 7,8 mil alvos no país, matando o líder supremo da república islâmica, Ali Khamenei, e parcela considerável da cúpula do regime, os Estados Unidos ainda parecem longe de atingir os objetivos anunciados no início das hostilidades.
Pressionado, o presidente Donald Trump emite sinais contraditórios: afirma que os EUA "já venceram", pede ajuda internacional para desobstruir o estreito de Ormuz, tenta se dissociar do bombardeio israelense da maior planta de gás natural do Irã e ameaça explodir as mesmas instalações se houver novos ataques iranianos ao Catar.
Adicionalmente, a guerra provoca a maior disrupção de oferta de petróleo da história, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), com a cotação do barril atingindo quase US$ 120 esta semana, além de causar pressão inflacionária global e abalo de cadeias produtivas.