Petróleo a US$ 110? Crise real ainda não chegou ao ocidente e preços podem subir mais
O descompasso entre os futuros e o petróleo físico se deve em parte às agressivas tentativas dos Estados Unidos de conter os preços
Três semanas após o início da guerra com o Irã, há uma lacuna crescente entre o preço dos futuros de petróleo e os abastecimentos que determinam os custos para os consumidores no mundo real.
O Brent global, referência internacional, saltou cerca de 50%, para cerca de US$ 110 por barril, à medida que o fechamento quase total do Estreito de Ormuz e os ataques a instalações de energia no Oriente Médio estrangulam a oferta. Mas o custo da maioria dos barris físicos está subindo ainda mais, já que a escassez de oferta impulsiona os preços dos produtos que os consumidores de fato utilizam, como gasolina, diesel e querosene de aviação.
Refinarias na Ásia, a principal região consumidora, estão comprando cargas a milhares de milhas de distância, pagando prêmios altíssimos em relação ao Brent, enquanto tentam garantir qualquer volume disponível. Empresas de transporte rodoviário já começam a sentir o impacto dos combustíveis mais caros, e algumas partes do mundo estão reduzindo compras de combustíveis que movimentam navios. Com os preços do querosene de aviação acima de US$ 200 por barril, grandes companhias aéreas europeias dizem que os passageiros terão de arcar com os custos adicionais.